Recentemente, duas notícias relacionadas às universidades chamaram a atenção da população. A primeira delas envolve a “proibição” imposta por Túlio Maravilha e sua esposa à filha, a influenciadora Tulianne. O casal vetou a matrícula da jovem nos cursos de Nutrição, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e de Odontologia, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
A outra notícia destaca o estudante Paulo Arnaldo, que optou por não se matricular no curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos, mesmo após conquistar a primeira colocação geral no vestibular. Ele escolheu cursar o bacharelado em Música, com habilitação em piano, na Universidade de São Paulo, curso que sempre desejou fazer.
Sobre o caso da influenciadora, a questão dos “valores familiares” alegada pelos pais é controversa. Se uma pessoa quiser fazer algo, certo ou errado, ela o fará em qualquer lugar — dentro ou fora das universidades. A universidade pública, apesar de possuir questões discutíveis sobre seu foco acadêmico e alinhamento com as demandas da sociedade, não pode ser culpabilizada nem tem o poder de mudar a personalidade de alguém.
Contudo, há pontos na crítica feita pelo “Casal Maravilha” que merecem debate, como a estrutura das universidades federais. De fato, algumas delas passaram por desinvestimento e contenção de despesas ao longo de muitos anos, situação que não se relaciona apenas a um mandato presidencial específico.
A questão da distância até a UFRJ também é passível de discussão, visto que as Linhas Vermelha e Amarela sofrem, há anos, com problemas de mobilidade e segurança — fatos amplamente conhecidos e frequentemente noticiados pela imprensa. Essas questões, embora interfiram no desempenho acadêmico, estão além do alcance da UFRJ e do Ministério da Educação. A solução passa pela atuação conjunta da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Governo do Estado e do Governo Federal, sobretudo pelo Ministério da Justiça, responsável pela Segurança Pública — área que, inclusive, poderia ter uma pasta específica, desvinculada de outros ministérios.
Já sobre o estudante que trocou o curso de Medicina pelo de Música, posso afirmar que ele tem razão. As pessoas devem seguir sua vocação. Ele tomou a decisão a tempo, permitindo que outra pessoa fosse chamada em seu lugar. Da mesma forma, outros candidatos ocuparão as vagas que Tulianne não utilizará.
Como disse a própria influenciadora, as vagas ficarão para “quem precisa”. Essa lógica também se aplica ao futuro estudante de música: ele seguirá seu sonho e deixará a vaga de Medicina para outra pessoa. Boa sorte a todos em suas futuras profissões — seja para Tulianne, para Paulo ou para aqueles que herdarão as vagas que eles deixaram.



