Sei que tem pessoas comemorando que Érika Hilton foi indicada para assumir a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Sei também que irão me chamar de transfóbica, mas não acho certo que essa pessoa seja a presidente dessa Comissão! Vou explicar…vamos ver se ainda me acharão transfóbica quando o texto acabar.
A Comissão da Mulher foi criada para cuidar dos problemas e ações sociais relativos à mulher. Não à mulher trans, mas sim à mulher biológica. Porque por mais que uma trans queira ser uma mulher, tem coisas que ela nunca vai passar e, por isso mesmo, nunca vai entender. E é necessário que se entenda os problemas que uma mulher enfrenta para presidir essa Comissão.
Uma mulher trans não entende nada pelo que uma mulher passou durante a adolescência, durante a gestação, durante a menopausa e tantos outros problemas que elas nunca terão. Assim como nós, mulheres biológicas, nunca entenderemos os problemas pelos quais uma mulher trans passa. Mas não tem uma mulher biológica presidindo uma Comissão Trans (que, aliás, deveria existir).
Mas, mais do que o explicado acima, Érika Hilton tem um problema adicional que na minha opinião é muito pior. Ela despreza as mulheres. Essa pessoa, que se diz uma mulher trans, fala das mulheres como se nós nem fossemos seres humanos. Ela nos chama de “pessoas que gestam”, “pessoas com útero”, “pessoas que menstruam” e tantos outros desse tipo que ela conseguir pensar. Como se fossemos apenas incubadoras, não pessoas.
Colocar uma pessoa assim para presidir a Comissão das Mulheres é uma falta de respeito para com as mulheres. Ela mesma já disse que “não quer saber de definir o que é mulher, porque isso não importa” para ela. E isso não importa porque ela não faz a menor ideia do que é ser uma mulher. Ela não imagina o que é sair à noite do trabalho com medo de acontecer alguma coisa com você enquanto você volta para casa. Ou trabalhar o dia inteiro com dor porque seu ciclo se iniciou ou porque você está na TPM, mas precisa do emprego.
Érika nunca vai entender o que é passar por uma gravidez de risco, que você tem medo até de ir da cama até a cozinha para buscar um copo de água e perder o bebê. Ou o que é ser abandonada durante a gestação porque seu bebê tem um problema e se tornar uma mãe solo atípica. E, assim como nunca vai entender o que essas mulheres passam, também nunca vai entender quais as necessidades delas.
Érika disse que a primeira coisa que fará será tratar do “transfeminicidío”. Aí eu pergunto: e sobre os recordes de feminicídio batidos em 2025 no Brasil, o que ela fará? E respondo: NADA, porque ela não se preocupa com as mulheres e seus problemas. Mas é justamente para tratar de mulheres e problemas de mulheres que a Comissão da Mulher foi criada. E é justamente por isso que Érika não deveria presidir essa comissão.
Entendo quererem dar uma comissão para ela presidir, mas não entendo que seja a Comissão da Mulher. E digo mais: porque até hoje não foi criada a Comissão dos Trans? Tem muitos assuntos que deveriam ser tratados por essa comissão. Mas sabe qual é o problema? A única representante que eles têm no Congresso não quer representar os trans, quer tomar os lugares das mulheres. E estão deixando ela fazer isso, com aplausos das mulheres ainda por cima!



