Quando chega janeiro o mesmo medo se assola entre os moradores da maior cidade do país, as chuvas de verão. Trata-se de um fenômeno natural, que assusta pela força das tormentas, mas já é esperado por todos os paulistanos, que se preparam na medida do possível para lidar com a imensa quantidade de chuvas que atinge São Paulo entre janeiro e março.
Móveis colocados sobre tijolos e comportas são alguns dos paliativos que a população adota para não perder seus bens durante os temporais, por volta das 17 horas o roteiro se repete.
Chuvas torrenciais, ruas alagadas, carros submersos, pessoas arrastadas, árvores caídas provocando queda de energia, moradores chorando a perda de seus imóveis, jornais policialescos voltando sua cobertura para noticiar o rotineiro sofrimento da população, isso compõe o dia da marmota da população todo começo de ano.
As autoridades observam essa situação de forma inerte, sem ações concretas para lidar com as enchentes, apelando para paliativos como os piscinões que não se mostraram eficientes, já que os alagamentos aumentaram 47% em 2025, quando comparado com o ano anterior.
Uma cidade de rios
Segundo o Projeto Rios e Ruas, São Paulo conta com 800 rios e córregos subterrâneos, a Prefeitura contabiliza 300, uma bacia hidrográfica rica mas que foi escondida entre canalizações e soterramentos, sob a justificativa de atrapalharem o desenvolvimento e expansão da cidade.
O crescimento desenfreado e sem planejamento trouxe consequências, o solo perdeu a capacidade de absorção, as galerias não conseguem lidar com a quantidade de água e os rios que poderiam evitar esse problema foram substituídos por concreto.
Muito dinheiro, pouca efetividade
Entre 2021 e 2025 foram investidos mais de R$7 bilhões em obras que visam melhorar a drenagem da cidade, dentre elas, a entrega de sete reservatórios e outros oito que ainda estão em construção, além da contenção de margens de córregos e recuperação de galerias.
Mesmo com o alto investimento, a Prefeitura falha em medidas simples como limpeza urbana, poda e corte de árvores. A população também não contribui, descartando o lixo de forma irregular, tapando bocas de lobo e causando transbordamento de córregos.
O que fazer?
São Paulo tem exemplos nacionais e estrangeiros de como lidar com as enchentes. Os parques alagáveis foram a solução adotada por Curitiba, que adaptou o lago do Parque Barigui para receber água de fortes tempestades, utilizando a capacidade natural de escoamento de árvores, arbustos e do solo.
O Parque do Ibirapuera poderia servir para esse propósito, porém, nas chuvas dos últimos anos o parque demonstrou não ter a infraestrutura necessária para lidar com grandes quantidades de chuvas.
No Japão, o caminho adotado foi diferente. O G-Cans Project, localizado na cidade de Saitama, é uma rede subterrânea composta por cinco grandes tanques de armazenamento com 70 metros de altura, ligados por um túnel principal de drenagem com 6.3 km de comprimento e 10 metros de diâmetro, além de outros 50 quilômetros de túneis secundários.
Esse sistema conta com bombas capazes de drenar 200 toneladas de água por segundo. Foi uma obra que durou 13 anos, sendo entregue em 2006, com o custo atingindo 2 bilhões de dólares segundo a cotação da época, sendo apelidada de “A Catedral”.
As soluções apontadas exigem uma alta complexidade em engenharia, além de grandes investimentos públicos, mas se bem aplicados, iriam trazer soluções definitivas para um problema que aflige os paulistanos há décadas, evitando perdas materiais, mortes e melhorando muito a qualidade de vida na maior metrópole da América Latina.
Fontes:
https://spdagaroa.com.br/enterrados-vivos-rios-de-sao-paulo/



